Jogo da memória, dominó e puzzles

de Carolina Almeida Canto - Psicóloga

Jogos que promovem o desenvolvimento e a motricidade fina

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Áreas de desenvolvimento


Desenvolvimento motor

Estes jogos promovem o desenvolvimento da motricidade fina pelo manuseamento das peças, encaixe e movimento dos dedos curiosos dos pequenos exploradores.


Desde dispôr as peças no chão ou mesa, a virá-las, rodá-las e encaixá-las (e por fim voltar a arrumar na caixa), todos estes movimentos promovem o desenvolvimento dos pequenos músculos dos dedos e mãos dos bebés. Estas aquisições primárias serão importantes futuramente para a criança segurar no lápis, recortar com a tesoura, apertar os botões da camisa e os atacadores dos ténis.


Aliada ao fortalecimento destes músculos menores está também implicada a coordenação olho-mão, que a criança precisa para agarrar uma bola e lançá-la para um cesto, por exemplo.


Desenvolvimento cognitivo

Ao nível cognitivo o cérebro da criança desenvolve-se ao brincar com estes jogos que estimulam a memória, a percepção visual e espacial, a atenção e concentração, assim como a capacidade de resolução de problemas de forma eficaz.


A rede neuronal do cérebro do bebé está em gande expansão nesta idade, sobretudo até aos 3 anos, e quando a criança brinca com estes jogos, como é o caso do jogo da memória, a repetição vai ajudando a consolidar informação, as sinapses (ligações entre neurónios) fortalecem-se e também se criam novas, dando espaço para novas aprendizagens.


A construção do puzzle simples de 4 peças, grandes e adaptadas às mãos do bebé (indicado para bebés a partir de 1 ano), faz com que ele desenvolva a orientação espacial, como e onde colocar as peças de forma correta e a descobrir que as partes complementam um todo, levando a associações lógicas e depois a progressão para o raciocínio abstrato.


O que também favorece a atenção aos pormenores, a isolar detalhes e a focar-se no essencial, descartando distrações para atingir o objetivo de concluir o puzzle.


Os puzzles também favorecem muito a capacidade de resolução de problemas pela tentativa-erro, e tentando várias vezes, a criança vai retendo informação e aprendendo a amplificar o leque de opções, encontrando novas perspectivas e novas soluções, fundamental para o pensamento flexível e crítico.


Nesse sentido, também acrescentaria a criatividade como competência em expansão quando a criança brinca com o jogo dominó, indicado a partir dos 3 anos de idade. Para além da correspondência das peças para completar a imagem certa, a criança pode fazer combinações inesperadas a dar largas à sua imaginação, inventando novos animais e criando histórias. As cartas do dominó têm dupla face e pode construir-se um caminho/percurso onde ainda circulam um barco, um carro e um esquilo, fomentando a brincadeira faz de conta.


No seguimento desta brincadeira simbólica, a dinâmica destes jogos, enquanto a criança vai explorando as várias peças com companhia de um adulto ou de outra criança, a descrição das imagens, cores e formas das peças, vai naturalmente estimular o desenvolvimento da linguagem da criança.


Análise psicológica


Estes jogos simples são fundamentais para o desenvolvimento da criança.


São convidativos a momentos partilhados em família, para que se possam sentar no chão juntos a desfrutar de tempo de qualidade e a conhecer-se melhor e estreitar os seus laços afetivos.


Sem pressa, o adulto enquanto brinca com a criança pode observá-la a dar-se conta de como ela faz as coisas acontecer, como se senta/levanta, como pega nas peças, como escolhe colocá-las, que sons ou palavras diz e assim alegrar-se com as novas conquistas, por mais pequeninas que sejam.


Creio que importa destacar esta vertente da calma e tempo tranquilo para a criança e para os pais. Estes jogos favorecem a atenção, como já havia referido antes, no caso de jogo da memória para recordar o lugar das peças, mas também vai ensinar a criança a ter paciência e virar apenas duas cartas de cada vez e a saber aguardar pela sua vez.


A criança aprende regras simples de socialização e aos poucos vai aprendendo a respeitar as regras do jogo.


Para os pais também este tempo exclusivo com os filhos, é oportuno para que reparem no ritmo único do seu filho e que apenas observem e sejam pacientes, intervindo o mínimo na sua dinâmica de jogo, deixando a criança experimentar as vezes que desejar e da forma que desejar.


Estes jogos são muito fáceis de transportar e de levar para qualquer parte da casa ou para fora desta num passeio ou refeição fora de casa. Podem usá-los para entreter as crianças em tempos de espera, num restaurante ou ida ao médico.

Dicas de brincadeira:


- Jogo da Memória. Começar por um menor número de pares de cartões e ir aumentando o nível de dificuldade, com mais pares de cartões. Descrever os cartões - cores, formas, nomes dos animais - como meio de promoção do desenvolvimento da linguagem.


Mesmo para os bebés com menos de um ano, sob supervisão do adulto, podemos colocar o bebé de barriga para baixo e dispor alguns dos cartões com imagem a preto e branco (que o bebé distingue bem) no chão em frente do seu olhar e deslocar lentamente, e assim estimular a sua visão e a sua capacidade de agarrar e acompanhar visualmente um objeto em movimento.


- Jogo do Dominó. Criar animais fantasiosos com cabeça e corpo que não correspondem, por exemplo, a cabeça de um passarinho com corpo de leão. O leão pode voar? Ou o passarinho tem patas e cauda? Com as crianças em idade pré-escolar poderão explorar diferentes hipóteses, pesquisar e descobrir mais sobre cada animal.


Sugiro também que façam o seu próprio desenho dos animais imaginários e que lhes dêem um nome.


Podem ainda criar uma história, em que cada um vai acrescentando uma parte, com a sequência das peças do dominó montado. Por exemplo: "A girafa foi passear e encontrou três flores cor-de-rosa gigantes, atrás das quais estava um ouriço escondido..."


- Puzzles. Comece por virar as peças dos puzzles com a face dos desenhos para baixo, ficando a face colorida (cada puzzle tem a sua cor) para cima e convide a criança a agrupar as peças por cores e que as vire para tentar formar a imagem. Falem sobre essa imagem, o que contém, que cores tem, nomear as partes do corpo dos animais e usar a zona interativa para expandir o diálogo e a brincadeira: "O veado quer tocar na borboleta com o seu nariz? Vai saltar para a apanhar? A borboleta vai girar no ar? (com o dedo a criança pode rodar essa zona do puzzle e fazer a borboleta girar).

Sabia que...


- Ter tempo exclusivo de brincadeira com a criança é muito valioso para o desenvolvimento?


- Montar puzzles ativa simultaneamente o hemisfério direito (criatividade/imagens) e o esquerdo (lógica/organização) do cérebro?