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Este mês falamos de...

Abril

O desenvolvimento motor da criança

Cada criança tem o seu tempo de desenvolvimento individual, no qual é muitas vezes diferente do desenvolvimento de outras crianças da mesma idade, tanto num sentido global, quanto no que se refere às capacidades individuais. Torna-se, portanto, difícil definir com precisão em que idade a criança atinge uma determinada fase do seu desenvolvimento. É fundamental ter isso em conta e não nos deixarmos prender pela ânsia de comparar, por exemplo, as capacidades do nosso próprio filho com as dos filhos dos nossos amigos.
Por essa razão, as etapas do desenvolvimento motor adiante descritas têm um caráter meramente indicativo: a criança que tem diante de si é o seu filho, que tem tempos e modos que lhe são próprios e que é simplesmente único.
Nos primeiros meses de vida, a atividade motora é expressa, essencialmente, por meio de reflexos instintivos, tais como chuchar, agarrar o dedo (reflexo de preensão –“grasping”), gatinhar.
Durante o segundo mês de vida, a criança começa a ter uma atividade motora coordenada e rítmica. O progresso mais evidente é a sua capacidade de levantar e manter a cabeça direita.
Aos 3 meses os movimentos da criança são cada vez mais coordenados e controlados. Também o reflexo instintivo de preensão ou “grasping” dá lugar à capacidade voluntária de a criança agarrar naquilo que está à sua frente para o mover ou levar à boca.
Cerca dos 4 meses, a criança começa a mexer-se, movendo as pernas para a frente e para trás, utiliza as mãos para trazer os objetos até si e, sobretudo, para os alcançar.
Quando a criança tem 5 meses, está na fase de coordenar o movimento das mãos com o olhar, tendo portanto a capacidade de tocar no que está a ver.
Pode começar a mover-se para a frente ou para trás, gatinhando e utilizando não só os pés e pernas, mas também as mãos e os braços, mostrando-se intrigado com o ambiente e com os objetos que o rodeiam.
Geralmente, aos 6 meses, a criança consegue mover-se gatinhando ou utilizando outras técnicas muito pessoais para explorar os diferentes ambientes. Muitas vezes, de uma forma cómica, vai recuar em vez de avançar, mas depressa irá começar a coordenar os movimentos. Encontra-se na fase de agarrar as coisas com as mãos, de aprender a rodar o pulso e de coordenar bem o movimento do polegar com um dos outros dedos, conseguindo ter nas mãos mesmo os objetos pequenos.
Aos 7 meses, a criança agarra as coisas com firmeza e consegue segurar entre os dedos mesmo os objetos pequenos e vai sempre melhorando a coordenação entre as mãos e os olhos.
Durante o oitavo mês, a criança descobre que pode manipular várias coisas ao mesmo tempo com as mãos, mas ainda não decidiu se prefere usar mais a mão direita ou a esquerda. A criança tem agora consciência dos movimentos do seu corpo e começa a ficar sentada sem necessidade das mãos para se equilibrar. Já é capaz de começar a apoiar-se sobre os pés, agarrando-se às barras da cama, mas quase sempre vai choramingar para que alguém a ajude a voltar à posição de deitada ou sentada.
Aos 9 meses, a criança gatinha bem e, dessa forma, pode também ultrapassar os obstáculos e enfrentar diferentes superfícies. Os seus músculos e a capacidade de os coordenar estão a ficar cada vez mais fortes. As atividades motoras que desenvolve durante o dia podem mesmo perturbar o sono, levando a criança a despertar para gatinhar e erguer-se.
Aos 10 meses, começamos a observar a coordenação entre o ombro, os braços, o pulso e os dedos.
Por volta dos onze meses, a sensibilidade da criança às experiências táteis continua a aumentar. Aos 12 meses, seja a aprender a caminhar, seja ainda a gatinhar, a criança começa a aprender a movimentar-se sem qualquer esforço por toda a casa, subindo e descendo por tudo quanto esteja ao alcance das mãos ou das pernas e arrastando tudo o que consegue alcançar. A criança pode tornar-se medrosa, sobretudo no que diz respeito às descidas, visto que começa a ter consciência da altura e do perigo relativo.
Entre os 12 e os 18 meses, a criança esforça-se por agarrar muitos objetos de uma só vez, pegando num deles com a boca ou então debaixo do braço ou, se os objetos forem suficientemente pequenos, pega neles com as mãos.
Durante este período, a possibilidade de caminhar com os pés descalços sobre um tapete macio, sobre um pavimento áspero, sobre um pavimento frio, etc., faz com que a criança descubra diversas sensações novas e fortalece o seu equilíbrio.
Após os 15 meses, se primeiro tinha o gosto de rasgar as páginas dos livros, agora aprende que para "ler" um livro é necessário desfolhar as páginas... se for possível, uma de cada vez.
Entre os 18 e os 24 meses, a criança trepa por tudo o que está ao seu alcance e já não parece ter medo das alturas, salta por cima das proteções da cama, dança, gira e corre de forma desajeitada. O seu desejo de explorar tudo o que se encontra à sua volta leva-o a afastar-se dos pais sempre que pode.
Depois dos 24 meses, a criança está na fase de correr bem e subir e descer as escadas, dando um passo de cada vez. Aprende a saltar elevando os pés do chão em simultâneo. Sabe também abrir as portas.
Aos 3 anos já dá passos alternados para descer as escadas e dá saltos longos com os pés juntos. Começa a fase de andar, de forma coordenada, com um triciclo. A criança também é capaz de mover os objetos na direção que deseja, seja empurrando-os diretamente, seja comandando-os à distância.
É óbvio que o desenvolvimento da criança não se limita às suas conquistas motoras, mas a um processo complexo que envolve uma série de capacidades sensoriais (vista, ouvido, paladar, tato e olfato), cognitivas e emocionais, que a criança atinge gradualmente com o crescimento.
Será entusiasmante acompanhar o seu filho neste percurso de desenvolvimento psicossenso-motor e partilhar com ele todas as pequenas e grandes conquistas que o aguardam.
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